quarta-feira, 13 de maio de 2009

Poema - A ALFORRIA DOS NOVOS ESCRAVOS.

Os negros cantavam na madrugada
Enfeitavam as carrocas e os cavalos,
Izabel era uma princesa consagrada:
A soberana dos escravos libertados.

A caravana seguia pela noite afora...
Cantorias, algazarras, a liberdade.
Numa alegria conservada de outrora
relíquia de uma velha comunidade.

Meu pai os esperava com licores,
a princesa poderia entrar na casa.
A multidão cantava seus louvores
pela grande irmandade alforriada.

As mulheres so olhavam pela janela
meus irmãos se juntavam na algazarra
A homenagem que era pura e singela
numa boa época de paz se celebrava.

Esses saudosismos são justificados
Pois o canto foi banido dessas bocas
(Hoje a madrugada e dos assustados)
Escravos dos donos de outras bocas.

Sergio Brandão, 13 de Maio de 2009. Brighton Ma

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